sexta-feira, 25 de setembro de 2015

''Cordel: Entre agulhas e cabides'', por Amanda Rocco




5:30 levanta. Saindo de São Mateus, indo para Santa Cecília. 
Começa o trabalho na padaria, para garantir o pão de cada dia. Metade do que ela ganha, é para ajudar a família. 
As 17 chega em casa, se arruma para escola, a vida é a maior correria. 

Só relaxa de sábado. Geralmente almoça com o pai, porque a mãe trabalha no mercado. 

Naquele dia o pai que vive calado, resolveu puxar um papo.
O que está acontecendo? 
Com uma puta cara de preocupado. 
Todas as suas amigas tem namorado! 

Pai você está louco, para de ser exagerado. 
Comigo não tem nada de errado. 
Maria está aqui na frente, o próximo ônibus é demorado, e nesta festa não entra quem chega atrasado.

É claro que era só uma desculpa.

Na festa Maria já entrou pedindo dose dupla. 
Joana preferiu ir com calma, pediu aquele tal de Cuba....

"Joana!!!! Tchutuhuca" Disse Guilherme, ele era bonitinho, e aparentemente tinha uma boa conduta. 
Eles já tinham ficado 5 vezes, o que mudaria ficar mais uma? 

Era uma festa em casa, eles foram pro quarto. 
Guilherme queria algo a mais do que o planejado...

Joana até tinha uma certa curiosidade, faltava um ano para sua maioridade, mas ela não queria vulgaridade, então disse que fazia se houvesse honestidade, se houvesse um namoro de verdade... 
Ele prometeu com futilidade, disse  que ela era sua prioridade, que já não era questão de amizade, já tinha até jurado fidelidade. 
Na real, depois do discurso do pai) Joana queria mostrar um namoro para sociedade, ela queria provar a sua sexualidade, imagina se na família fosse ela um caso de homosexualidade? 
Ela não estava tão a vontade, nem com tanta vontade, mas dentro de si era mais forte a...vaidade...  
Porque recusar aquela oportunidade se daria em um namoro e até havia uma certa afinidade?! 

Ela começou a tirar a saia,  mas ele puxou, e saiu junto sua calcinha; ela viu ele desabotoando sua bermuda com brutalidade e pediu angustiada para que ele usasse camisinha. 
"Que camisinha, o que!? Eu tiro quando eu for gozar!"
Ele não foi carinhoso, nem devagar. 
Joana sentiu dor, uma hora até chegou a gritar. 
Ela queria saber porque ele fazia com tanta força, mas prefiro se calar. 

Depois do ato, até parece cômico, guilherme se vestiu, sorriu e saiu, rapidamente.
Joana secou uma lágrima, não sei bem o que se passava em sua mente, talvez ela estivesse se sentindo usada... Enfim, a cena era deprimente.

Os dias passaram, e tinha alguma coisa diferente.


Ai meu Deus. 


Não tinha sangue no absorvente. 
Correu para farmácia. 
Ela sabia que dá sua urina ela estava dependente. E se o resultado fosse positivo, a sua vida teria mudado drasticamente. 

Ligou para Maria, menina que até então era sua melhor amiga, e sempre dava conselhos com sabedoria.  Depois de escutar a história ela jurou segredo, mas quanta ironia, chamou Joana de vadia. 
Segredo coisa nenhuma. 
Jura segredo? Juro! 
Jura segredo? Juro! 
Umas 30 pessoas já tinham jurado segredo, parece até hipocrisia.

Vadia.
Inconsequente.
Irresponsável.
Vadia.
Piriguete.
Ordinária.
Vadia.
Menina sem escrúpulos, cadê a responsabilidade, estava bom na hora da orgia?

Nostalgia. 

E Guilherme? 

A humilhou. 
"Guilherme o filho é seu"
Ele negou.

Depois de uma longa conversa, quando a real ele sacou, teve uma inusitada ideia... 
Ele vazou. Sumiu. Se mandou. 

Safada e dissimulada. Essa menina é uma rodada. 
Os adjetivos não paravam, Joana estava abalada! 

"Ei quanto é a retirada!? 2100? Eu não tenho essa porrada" 

Na manhã seguinte foi encontrada, no seu quarto pelada. 
A menina doce e humilde, com as pernas abertas, uma agulha de tricô e um pedaço de cabide. 

Diante tal relato, vou dar a minha opinião. Não sobre o aborto... Sobre a legalização.
O aborto acontece, essa é a conclusão.
Os homens abortam diariamente e ninguém presta atenção.
As ricas pagam e sobrevivem, as pobres não! 

Amanda Rocco, 16
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